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Aviso (se Quiserem)
Minha irmã pediu-me para escrever uma resenha. Escrevi. E acabei enviando por email para alguns dos conhecidos e amigos daqui; alguns emails voltaram, invalidados; outros parecem ter chegado ao seu destino. Aos antigos leitores desta página que nunca deixaram email, não pude enviar. Abraços a todos.
Escrito por Claire Scorzi às 19h04
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Porque vocês são maravilhosos
Tenho lido todos os recados. Tenho saudades. Não acredito que eu volte, mas vocês têm sido muito bons para mim. Obrigada.
Escrito por Claire Scorzi às 03h51
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Despedida
Quando iniciei meu primeiro blog - o blog da Loba, em 30 de outubro de 2004 - experimentei uma das maiores alegrias dos últimos anos; ver algo que eu escrevera posto on line, para leitura de todos - pelo menos, todos que visitassem a página - foi uma das sensações mais próximas que tive do que significa divulgar algo que se faz e se gosta; em princípio, o mero fato de ver meus textos arrumadinhos, expostos, alegrava-me; mais tarde, a isso se juntou descobrir o contador de acessos e assim saber que era visitada; encontrar os primeiros comentários; respondê-los. Descobrir blogs novos e fazer novos amigos.
Todas essas experiências foram importantes para mim. Manter blogs (este aqui é o segundo de minha propriedade; ao longo desses mais de 24 meses, colaborei também em outros, de amigos) aprimorou minha disciplina, testou meu estilo, abriu-me os olhos para opiniões diferentes das minhas, trouxe-me mais segurança: aprendi que posso fazer algumas coisas, que sou capaz de fazê-las; ganhei autoconfiança, algo de que todo tímido sabe o valor.
Como nada é perfeito nesse mundo, tive também alguns dissabores. Manter um blog, como disse meu amigo César Miranda, do falecido e lamentado Pró Tensão, é ter outro emprego. É difícil manter a qualidade que se deseja e que até se declara como imprescindível; é difícil, para alguém autocrítica, afirmar que "Devemos nos divertir com um blog" (afirmação que me lembro de ter feito a um amigo) e ao mesmo tempo ser assolada pela culpa quando o texto que exibe é abaixo da qualidade mínima que se anseia; difícil, também, debruçar-se sobre um micro atualmente caprichoso, que desliga quando menos se deseja, e lutar para editar, cortar, polir um texto no wordpad; desestimulante perceber que muitos blogs queridos, que costumavam funcionar como um estímulo, seus donos propiciando trocas de idéias, humor, discussão, entusiasmo, encerraram as atividades ou, em alguns casos, tornaram-se erráticos em suas atividades. Sinto-me saudosista dos meus primeiros tempos de blogueira. Havia uma energia on line que raramente recupero agora.
Assim, examinando prós e contras, os ganhos e as perdas, encerro agora as atividades aqui. Aprendi o que eu podia aprender; escrever, revisar, publicar, verificar, tornaram-se tarefas que desviam meu tempo, já tão escasso. Minha energia para escrever textos mais longos tem sido gasta nos cuidados com esta página. As perdas são hoje maiores do que os ganhos.
Agradeço a todos que compartilharam essa “brincadeira séria” comigo. Obrigada pelos comentários, os recados, as perguntas, os pedidos, as cobranças. Vocês foram maravilhosos. Foi divertido.
Escrito por Claire Scorzi às 08h00
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Literatura Policial: Ed McBain
Ed McBain é pseudônimo de Evan Hunter (1926-) criador de uma série policial de sucesso: o 87º Distrito Policial. Nela, McBain apresenta histórias de crime e investigação utilizando uma meia dúzia de detetives à paisana: Steve Carella, Kling, Meyer, Cotton Hawes, Arthur Brown... seus policiais não são gênios, mas realizam o trabalho usando de paciência, dedicação e meticulosidade. Em seus livros (boa parte escritos e publicados nos anos 50) começa a destacar-se o trabalho da perícia criminal, que hoje em dia é tão popular através de séries de Tv como C.S.I. A rotina, a descrição de tipos humanos, o enfoque da vida familiar dos detetives são algumas características próprias do "mundo" imaginado por McBain para as suas narrativas.
Alguns títulos: Afinal, Quem Foi Annie? ; O Salário do Crime; Saldo: 4 Mortos; Domingo no Distrito Policial; Pacto de Morte?; As Horas Vazias.
Escrito por Claire Scorzi às 19h36
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Canção
Nunca eu tivera querido
dizer palavra tão louca;
bateu-me o vento na boca,
e depois no teu ouvido.
Levou somente a palavra,
deixou ficar o sentido.
O sentido está guardado
no rosto com que te miro,
neste perdido suspiro
que te segue alucinado,
no meu sorriso suspenso
como um beijo malogrado.
Nunca ninguém viu ninguém
que o amor pusesse tão triste.
Essa tristeza não viste,
e eu sei que ela se vê bem...
Só se aquele mesmo vento
fechou teus olhos, também...
(Cecília Meireles)
Escrito por Claire Scorzi às 06h03
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Uma Página Transcrita 18
Relendo Sartre. Algumas colocações existencialistas me fazem entender porque alguns cristãos se enamoraram, ao menos em parte, do existencialismo. Quando Sartre anota em seu diário "Somos totalmente responsáveis por nossa vida" , se encararmos "responsáveis" como o direito que Deus nos dá para escolhermos aceitá-Lo ou negá-Lo - pois Ele chama, mas não força ninguém (...) a frase é verdadeira. O existencialista é contra a auto-indulgência e, até onde percebo, o cristão também: se pecamos, é preciso admiti-lo (...)
Mas o existencialismo puro, sartreano, não admite Deus, daí a angústia. "É preciso perder toda a esperança. A moral humana começa onde pára a esperança (vida futura, perfeição humana, etc.)" (Diário de uma guerra estranha, p. 123). Sartre cobra de si, como existencialista, todo esforço: de responsabilidade, de autenticidade, de moral, de atuação-no-mundo. É peso demais. Com a herança do pecado, é um fardo, um jugo (...).
(excerto do diário pessoal - 02/03/1996)
Escrito por Claire Scorzi às 19h44
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Apontamentos XIV
Os Profetas
FEE, Gordon D. & STUART, Douglas. Entendes o que lês? SP: Vida Nova, 1991. p. 159-163.
A Tarefa Exegética.
* Uso de dicionários bíblicos, comentários aos livros proféticos e manuais bíblicos - Temos de ter "as informações de fundo histórico antes de conseguir captar a razão de ser de muita coisa que um profeta transmite. A Palavra de Deus veio através dos profetas para pessoas em situações específicas. Seu valor para nós depende parcialmente da nossa capacidade de apreciar aquelas situações de modo que, por nossa vez, possamos aplicá-la à nossa própria situação". (p. 160)
* O contexto histórico - Para uma boa exegese, é preciso compreender bem os dois contextos de cada livro profético: o "contexto maior" (a época do profeta) e o "contexto menor" (ou específico: o contexto de um único oráculo dentro do livro profético). "Um conhecimento da data, do auditório, e da situação, portanto, quando são conhecidos, contribui substancialmente à capacidade do leitor compreender um oráculo" (p.162).
Escrito por Claire Scorzi às 04h47
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Apontamentos XIII
Os Profetas - Fazendo cumprir a aliança em Israel
FEE, Gordon & STUART, Douglas. Entendes o que lês? SP: Vida Nova, 1991. p. 153-163.
Problemas surgidos na leitura e interpretação das profecias - mal-entendidos quanto à:
* função da profecia
* forma da profecia
A dificuldade em ler de uma só assentada os livros proféticos - em primeiro lugar, cada livro é uma coletânea de oráculos falados; não foram falados todos de uma só vez, mas em diversos momentos diferentes; em segundo, a maioria foi falada em forma poética (muitas traduções não deixam isso visível, especialmente na forma - prosa - como a maioria os textos proféticos se acha traduzida).
Funções da Profecia
* Os profetas como mediadores para o cumprimento da aliança
* A mensagem profética não é do profeta, mas de Deus; eles eram chamados para isso, transmitir a mensagem divina a Israel
* A mensagem do profeta não era original: trazia à lembrança do povo as ações de Deus, anunciava o castigo, prometia a benção - detalhes ou a maneira como a mensagem era anunciada variavam, mas o conteúdo da mensagem permanecia fincada na Lei transmitida por Moisés.
Escrito por Claire Scorzi às 05h56
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A Leitura em Questão
"(...) Até aqui só sabemos que são as condições familiares que permitem tornar-se leitor. E estas condições estão tão ligadas ao status das classes privilegiadas que é impossível - e ainda menos desejável - generalizá-las" (FOUCAMBERT, Jean. A leitura em questão. Porto Alegre, Artmed, 1994. p. 26).
Ligada não somente à minha profissão, mas especialmente por interesse pessoal, leio às vezes livros como esse de Foucambert, teórico e crítico francês da área de Alfabetização e leitura. Ainda que concorde com ele em parte, também descubro afirmações-chavão que, consagradas, raro é que se questionem. Por exemplo, quando Foucambert diz que as condições familiares capazes de transformar uma pessoa em "leitor" estão fortemente ligadas ao status das classes privilegiadas. O que ele quer dizer com isso? Status é "o conjunto de direitos e deveres de uma pessoa em sua relação com as outras em sociedade". Então, o que ele está dizendo é que quase sempre, só dentro de famílias cujos direitos e deveres de cada membro quase se igualam aos dos privilegiados é que se formam leitores. Será isso? Neste caso, devo discordar.
Quais os direitos e deveres dos privilegiados? A liberdade e as condições materiais para ler e estudar à vontade; viajar para diversos países se hospedando nos melhores hotéis; financiar grandes projetos filantrópicos; aparecer na capa da "Caras"...
Se apenas ou quase apenas essa classe privilegiada faz nascer leitores estamos diante de uma consagrada mentira. "Consagrada" porque todos que se pretendem contestadores gostam de usá-la; se de fato contestadores, começariam questionando algumas "verdades" que nos são empurradas (e ensinadas).
Quantos leitores lúdicos (tradução: leitores que lêem pelo prazer da leitura, pelo menos 1 livro por semana) conhecemos ou temos notícia vindos das "classes privilegiadas"? Marcel Proust é um, certo; grande escritor assim como leitor. E além dele? Se alguém souber de um número razoável de milionários que são, também, leitores lúdicos, favor deixar comentário abaixo.
A idéia de que poucos lêem por culpa de uma classe privilegiada que é a única a ter acesso ao livro e quase sempre a única a dominar a arte de aproveitá-lo bem (isto é, ler criticamente) é uma das mais caras mentiras que determinado tipo de contestadores adora. Alguns, bem intencionados, repetem a mentira por crerem nela. Contudo, fico pensando aqui em quantos leitores lúdicos conheço - não tanto quanto gostaria, verdade - pertencentes à classe média, esta sim, julgo eu, a classe por excelência dos leitores. Pessoas que trabalham por salários entre 2 a 3 mínimos; que andam de ônibus ou que dirigem seus próprios carros; que estudam ou estudaram em escolas públicas; que adquirem livros em livrarias mas também em sebos; alguns tiveram pais leitores, outros não; pessoas que lêem dentro de conduções e até mesmo em pé, como já vi. Não sei com certeza porque algumas pessoas se tornam leitoras e outras não. Mas sei de uma coisa: não se trata de "característica predominante das classes privilegiadas". A não ser que a definição de "classe privilegiada" tenha mudado...
Escrito por Claire Scorzi às 05h03
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Diário de Leitora 18
O Sonho de um Homem Ridículo, Fiódor M. Dostoiévski
Na noite em que decide suicidar-se, um homem encontra uma menina que lhe suplica ajuda. Maltratando-a, ele a repele, porém o encontro irá persegui-lo, e ele terá um sonho onde se vê no Éden e convive com os seres humanos intocados pelo pecado; com o tempo, acabará por corrompê-los a todos. Ao despertar, muda sua vida.
Essa novela de Dostoiévski não terá sequer 30 páginas, mas é um extraordinário exemplo da riqueza temática do escritor russo: nela, o autor nos fala da natureza, do pecado e da Graça, do amor e do inimigo do amor, conhecido e denunciado por Dostoiévski em mais de uma obra sua: o niilismo. Seus antiheróis são homens que tentam provar sua superioridade seja matando (como Raskolnikóv em Crime e Castigo) seja buscando a indiferença pelo mundo e pelas pessoas; porém fracassam. Raskolnikóv é perseguido pelo seu próprio desejo de punição - a moral ainda existe nele; o protagonista-narrador de O Sonho de um Homem Ridículo é confrontado com sua falsa indiferença no episódio da menina. Embora repelindo a criança com brutalidade, o sofrimento dela o alcança; faz com que ele se preocupe e também sofra; seu sonho, mistura de alegoria e de profecia, acaba por ser uma revelação pessoal, profunda. Ao final da novela, é ele quem diz:
O essencial é amar o próximo como a si mesmo, eis o que é essencial, eis o que é tudo, sem que haja necessidade de outra coisa: logo sabereis como edificar o paraíso.
E ainda acrescenta a denúncia do niilismo e do cientificismo, praga que nos assola ainda hoje, na nossa época tão sofisticada, e tão orgulhosa de sê-lo (mesmo que estejamos indo para o buraco):
"A consciência da vida é superior à vida; o conhecimento das leis da felicidade é superior à felicidade" - eis contra o que importa lutar! E eu lutarei.
Há muito mais em O Sonho... Dostoiévski era capaz de escrever uma página e nos deixar sem fôlego com a amplitude de seu pensamento, com a quantidade de idéias ali comprimidas. Um escritor inesgotável.
(este post é para Diego)
Escrito por Claire Scorzi às 05h17
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Dante
Estou relendo A Divina Comédia de Dante Alighieri. É a 5ª leitura que faço do poema inteiro, mas é a 1ª na tradução de Cristiano Martins.
Vão umas observações:
1) Dante como cristão medieval que coloca as Escrituras em debate ou em confronto com a tradição eclesiástica
No canto III do Purgatório, Manfredo, rei da Sicília (1232?-1266), conta que morreu excomungado pelo papa Clemente IV; arrependeu-se de seus pecados no fim da vida, crendo na palavra bíblica quanto ao perdão de Deus:
Duramente no século pequei,
mas é tão infinito o dom divino,
que a todo acolhe, que pranteia, eu sei
(Purg, III, 121-123)
E, no poema de Dante, é colocado na entrada do purgatório, rumo à salvação, portanto:
Porém o grande estigma não empece
a alma de se elevar à gloria pia,
se nela inda a esperança refloresce
(Purg, III, 133-135)
Aqui Dante é mais explícito: o estigma ( a excomunhão) não tem poder para impedir a alma de se salvar, se essa for visitada pela Graça. A Deus toda a glória!
2) Dante como Pré-Reformador
Algumas idéias e críticas de Dante à Igreja enquanto instituição aproximam-no, curiosamente, de precursores da Reforma, como John Wycliff (1328-1384). Como Wycliff iria defender em seus escritos que há 2 governos - um, natural ou evangélico, tendo como base o amor, e outro, civil, resultado do pecado, tendo como base o uso da força, e que a Igreja não deveria aliar-se às políticas dos poderosos ou a qualquer tipo de "poder temporal", Dante, já em começos do século XIV, em obras como Da Monarquia e na Divina Comédia, já criticava as autoridades eclesiásticas por ambicionarem o poder político, como se vê na longa exprobação feita no canto VI do Purgatório:
Ó gente que se crera apenas pia,
e deveras confiar ao Rei a brida,
se atendesses a Deus, como cumpria
(Purg, VI, 91-93)
Também na visão já citada de Dante quanto à Excomunhão vs. Graça de Deus (Purgatório, III) o poeta aproxima-se de Wycliff, que defendera o conceito de que o cristão só se excomunga verdadeiramente quando se afasta de Jesus Cristo.
Escrito por Claire Scorzi às 06h50
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O "Politicamente Correto" e Seus Equívocos
É politicamente correto uma nação inteira fazer um "mea culpa" quanto ao horror da escravidão e se falar até mesmo em indenização ao povo negro.
É politicamente correto, considerando o racismo existente, defender a implementação das cotas para pessoas negras nas universidades.
É politicamente correto denunciar as injustiças e violências cometidas pela ditadura militar e exigir indenização para as vítimas do regime, ou para as famílias daqueles que foram assassinados sob o regime.
Não acho que o racismo seja coisa de somenos, ou que não exista (do mesmo modo como não acho o machismo algo insignificante, muito menos que seja "um exagero feminista"). Contudo, se a idéia das indenizações pegar - parece que em alguns casos já está sendo executada - o governo pagará aos negros, e a quem mais? Sim, porque os índios também foram escravizados e dizimados através da história das Américas. E quanto a nós, mulheres? Vamos ser indenizadas também? E quanto às crianças? Aos idosos?
Será que sou só eu que julgo essa "mea culpa" um tanto grandiloqüente, retórica, pomposa, hipócrita?
Será que sou só eu que vejo no sistema de cotas um modo velado de dizer que os negros são pessoas intelectualmente inferiores, e que por isso precisam de um "empurrãozinho" - com o sistema lhes garantindo vagas? Será que só eu encaro isso como um racismo muitíssimo pior, porque condescendente, e ardiloso?
Será que sou só eu que acho que muitos que hoje se encontram no poder, tendo sofrido perseguição política no passado, estão aproveitando para obterem mais regalias? Estão se deixando corromper e ostentando o rótulo - perseguido político - para mimarem a si mesmos, onerando um Estado já bastante explorado?
Considero injustificável, injustificável, qualquer forma de ditadura seja de direita ou de esquerda (o bom de ser apolítica é isto: quase sempre, os de direita acham a ditadura terrível - se esta é de esquerda. E os de esquerda julgam a ditadura um horror - se esta é de direita. Enfim, deu para entender, não?). Porém desconfio muito de todo esse espetáculo que temos visto pela mídia atual, toda essa onda de "mea culpa" e indignações e cotas e leis disto e daquilo.
Se eu fosse negra - informo: tenho ascendência indígena - não quereria cotas. Como não as quereria se instituíssem cotas "para mulheres" nas universidades. Eu não sou burra. Não preciso de favores nem de esmolas. Penso que todos nós, homens e mulheres, brancos e negros, de esquerda, de direita e apolíticos, deveríamos parar e pensar melhor sobre todo o "cenário" que tem sido montado diante dos nossos olhos. Se é espetáculo, deve ter uma razão.
E, querem saber? O pensamento (?) "politicamente correto" é linear, é tão linear que é burro; e dessa forma prejudica as causas que afirma defender.
Escrito por Claire Scorzi às 19h41
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Livrarias e Sebos (final)
Nos últimos anos, além de continuar aparecendo em alguns dos sebos e livrarias já mencionados - Elizart, Opção - fui descobrindo outros lugares; a Saraiva Megastore, Martins Fontes, Livraria da Travessa, a Academia do Saber, a Artes e Letras (esta foi meu "point" em 1997, por uma simples razão: seu estoque jamesiano. Comprei lá seis dos meus livros de Henry James, a ponto de me fazer notada pela atendente, que um dia me perguntou: "Você está preparando alguma monografia sobre ele?" Infelizmente, a livraria fechou)... Dessas, freqüento mais a primeira e a terceira. Sentar-me no Café da Saraiva é uma das minhas pequenas-grandes alegrias. A cerimônia é: compor uma pequena/ grande pilha de volumes, dirigir-me ao Café, fazer o pedido, desfrutá-lo enquanto folheio cada livro sentada numa das mesas. Vou seguindo meu ritual: leio as orelhas, a contracapa, o sumário (se houver); abro por acaso em alguma página e leio, experimentando. Imagino que todo leitor, nessa "leitura inspecional" como a chamava Mortimer Adler, interroga o livro; e, dependendo das respostas, compra-o.
Na Livraria da Travessa não me demoro tanto, pois não costumo "instalar-me". Faço giros e giros pelas estantes e prateleiras. É nela que encontro mais facilmente os títulos saídos por pequenas editoras, ou editoras pouco divulgadas - foi onde achei, por exemplo, as Crônicas Italianas de Stendhal (editora Max Limonad) em oferta, e um volume de novelas de Henry James traduzidas por Marcelo Pen, Um Peregrino Apaixonado (ed. Planeta). Ou ainda os Contos Fantásticos de Gautier (ed. Imaginário). Ela possui também um acervo mais rico nas áreas de Filosofia e História.
Porém a Saraiva associou-se, para mim, a eventos importantes; foi nela que tive a satisfação de conhecer algumas amigas virtuais. Três vezes, estive sentada ao Café na companhia da Prit (do blog Diário de Bordo), tendo na última o acréscimo da presença da irmãzinha da Prit, a Thams (do Sereníssima). E uma única ocasião, em março deste ano, aproveitei o melhor que pude (tradução: nunca o suficiente) da companhia da Dira (do Voando pelo Céu da Boca ). A megastore, portanto, sempre irá evocar em mim boas lembranças...
Escrito por Claire Scorzi às 19h46
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Livrarias e Sebos - IV
Em 1995, nasci de novo. Como nova convertida, e imutavelmente uma pessoa para quem ler sempre foi o principal e melhor caminho para aprender, tornei-me uma cristã devoradora de livros. Nunca li tanto, ou estudei tanto, como cristã, do que no meu primeiro ano de convertida. Não foi o meu melhor ano de estudos teológicos; nem mesmo foi o ano em que compreendi melhor a fé. Muitas idéias erradas foram aceitas por mim, e só mais tarde revistas e retificadas; porém '95 foi, de fato, o ano em que mais li como cristã. Foi o ano em que me tornei figura costumeira nas livrarias evangélicas de minha cidade: Opção, JUERP... saía delas carregando livros, em geral três ou quatro, obras como os comentários de Derek Kidner sobre Salmos, Provérbios, Gênesis; os livros de lexicografia de William Barclay, inclusive o lindo As Obras da Carne e o Fruto do Espírito; Hermenêutica de Henry Virkler, mais tarde só superado pelo Entendes o Que Lês? de Gordon D. Fee e Douglas Stuart; Filosofia e Fé Cristã de Colin Brown; os comentários que comecei a adquirir dos meus dois livros favoritos no NT, a Epístola aos Romanos e o Evangelho de João - escritos por F.F. Bruce (um dos meus protestantes ingleses prediletos), J. Ramsey Michaels, Harold Brokke...
Ainda - a descoberta de escritores cristãos contemporâneos nos quais realmente encontro valor - os livros de Richard J. Foster e o canadense Paul Stevens: Celebração da Disciplina; Disciplinas para um Coração Faminto; Dinheiro, Sexo & Poder ; Oração: O Refúgio da Alma. Também, entre esse primeiro ano e '96, comprei nessas livrarias O Grande Abismo e Peso de Glória de C. S. Lewis; O Jesus Histórico de Otto Borchert; A Morte da Razão (um Francis Schaeffer muito bom); e, ligado à fé, porém não à minha tradição religiosa, fui ler (para me apaixonar) Anselmo de Cantuária: Monológio e Proslógio.
O que comecei a sentir falta: livros de alicerce na área teológica; as obras dos fundadores do Protestantismo. Em busca desses últimos, tive de empreender caçadas; o protestantismo histórico continua mal servido em nossas livrarias.
(continua...)
Escrito por Claire Scorzi às 05h13
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Livrarias e Sebos - III
Entre fins de '92 e começos de '93, o sebo que eu vinha freqüentando na Visconde de Inhaúma fechou as portas (acontece com boas livrarias também: aconteceu com a Artes e Letras, na Sete de Setembro, que visitei quase mensalmente em '97). Explorando a rua, fui dar no trecho em que esta transforma-se em Marechal Floriano. Na altura do nº 63, uma placa: Livraria Elizart. Neste momento tenho em mãos um dos marcadores que ganhei na livraria, informando: "Fundada em 1972". Permanece lá. Espero que continue. É uma sobrevivente.
Um dos seus charmes está em que, quando se adentra mais a loja, vamos encontrar ao fundo uma série de retratos de escritores clássicos afixados nas colunas de sustentação do teto - imagens de Dostoiévski, Flaubert, Alexandre Dumas, Balzac... Qualquer apaixonado por Literatura não pode deixar de simpatizar imediatamente com uma "decoração" dessas. O sebo traz estantes dedicadas aos clássicos separando-os por nacionalidades. Possui ainda umas quatro ou cinco prateleiras enfocando literatura policial (comprei alguns ali). Saí de lá sobraçando obras como Coronel Jack de Daniel Defoe; Razão e Sensibilidade de Jane Austen; Os Mandarins de Simone de Beauvoir; Bouvard e Pécuchet de Flaubert; Mar Absoluto & Retrato Natural de Cecília Meireles; Martin Eden de Jack London; 62 - Modelo para Armar de Cortázar; ABC da Literatura de Ezra Pound; volumes soltos de História da Literatura Ocidental de Carpeaux; o Henry James de Leon Edel... até hoje, o acervo deles na área de Crítica literária é de dar água na boca. Nem sempre chego a comprar, porém registro a presença de certos títulos, satisfeita.
Também na mesma época, devido a um conjunto de circunstâncias, passei a visitar o sebo Casimiro de Abreu. Foi lá que adquiri o meu exemplar de A Arte de Ler de Mortimer J. Adler e Charles Van Doren; onde comprei A Mulher Eunuco de Germaine Greer e Feminismo e Arte: um estudo sobre Virginia Woolf de Herbert Marder.
Nessa minha vivência entre espaços-com-livros, entre livrarias e sebos, um detalhe chamou-me a atenção: é comum que eu ouça pessoas conversando sobre escritores, sobre literatura, dentro dos sebos, inclusive com participação dos donos. Em todo o meu tempo de freqüentadora de livrarias, só me lembro de uma ocasião ter ouvido um rapaz aconselhando alguém sobre um livro para ler, na opinião dele um livro incomparável. Tratava-se de O Senhor dos Anéis de J. R. R. Tolkien.
(continua...)
Escrito por Claire Scorzi às 10h39
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 36 a 45 anos, Livros, Arte e cultura, estudos de teologia e filosofia...
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